"Demétrio sobreviveu à metralhadora, mas não resistiu à ação de Deus na sua vida"
De repente
Começou a fazer parte desse mundo aos 15 anos. No início, seu trabalho consistia em embalar a cocaína, mas aos poucos foi se envolvendo de forma mais intensa, até ser promovido a gerente geral, homem de confiança do traficante Orlando Jogador, morto em 1994. Convertido ao Evangelho há sete anos, tornou-se um missionário. Congrega na Assembléia de Deus, no bairro de Inhaúma, e sua história foi tema de capa da revista Newsweek, uma das mais importantes do mundo.
Viatura - Abandonado à própria sorte pelos policiais, foi socorrido por um morador local e levado para o Hospital Geral de Bonsucesso e depois transferido, a pedido do traficante Orlando Jogador, para uma clínica. Ao todo, foram 47 dias de internação. “Naquela hora vi a morte de perto e clamei a Deus, que me enviou um socorro, o irmão Devair, que segurou na minha mão e disse que eu não iria morrer”, conta Demétrio, que se fingiu de morto e ouviu tudo o que os policiais falavam. “Depois de pegarem meu dinheiro e as drogas que estavam no bolso da jaqueta, um deles falou: vamos embora e depois a gente volta com uma viatura para resgatar o corpo”, ressalta.
A partir do momento que retorna para a sua casa no Morro do Alemão, onde foi criado, passa por momentos de sofrimento e dificuldades. Imobilizado numa cama, precisava do favor de alguém para fazer as coisas mais simples, como ir ao banheiro e pegar um copo de água. Ficava pensando na sua fase de poder no morro, com dinheiro no bolso e temido pelas pessoas. “Ganhei muito dinheiro, mas com a mesma facilidade que ganhava, gastava”. Além disso, ainda enfrentou a perseguição do policial que o baleou, que trabalhava no posto comunitário do morro. A depressão foi aos poucos tomando conta, a tal ponto que Demétrio tentou o suicídio.
Um dia, um grupo de evangelistas estava fazendo um trabalho na favela e resolveu bater na sua porta. Falaram sobre Jesus e o convidaram para ir na igreja. Aceitou o convite e foi. A seu modo, começou a conversar com o Senhor, dizendo que gostaria de se converter, mas queria ver mudanças na sua vida. À tarde foi de novo para a igreja e sentou no último banco.
Visão espiritual - Terminado o culto, as pessoas já estavam saindo, quando uma irmã se aproximou de Demétrio e lhe disse: “Aquela metralhadora não te matou porque o Senhor estava naquele lugar. Você vai passar uma provação, mas não temas porque Ele está contigo. Teus amigos morrerão porque têm o coração endurecido para Deus, e aqueles que te abandonaram, Deus os levará até você. Abra o teu coração e pregue”, concluiu a irmã.
“Naquela noite aceitei o Senhor e ganhei uma Bíblia. Três dias depois, pela manhã, colegas do tráfico estiveram na minha casa para fazer uma visita”, relembra. Nessa hora, Jesus tocou o seu coração com a mensagem: “Abra a tua boca e coloque um disco”. Assim foi feito. Depois que todos foram embora, um deles retorna, tendo ao lado o gerente do tráfico que tinha ficado no lugar de Demétrio, que, cumprindo mais uma vez o que Deus havia ordenado, prega o Evangelho, e o gerente se converte, juntamente com a mulher.
Cada vez mais firme nos caminhos do Senhor, passa a receber convites de diversas igrejas para pregar e contar o seu testemunho. Em uma delas - Casa da Bênção -, conhece Marta da Rocha Martins, 32 anos, com quem se casou em novembro de 99. “Estava afastada da igreja há 12 anos. Quando voltei, Demétrio foi pregar, começamos a namorar e acabamos nos casando”, conta Marta, que em todos os momentos está sempre ao lado do marido.
Agora, quando Demétrio passa pelas ruelas da favela, onde nasceu e continua morando, ninguém fica com medo. As pessoas sabem que ali está um homem transformado que, pelo poder sobrenatural de Deus, abandonou as armas para pregar a Palavra de Deus.






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